quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A MUSA EM GIORGIO DE CHIRICO (HÁ MUSA?)


O homem é Giorgio de Chirico!

Solitário passo entre as casas
- Sou Giorgio de Chirico!
O homem que sou
é um de Chirico...:
um Giogio de Chirico!

Em solitude absoluta
passo com o sapato
cujo chiado em atrito com o solo
canta a solidão relativa
reativa
ratificada
pela cantaria obrada em desenho de gárgula
no canto debuxado nas pedras
da igreja cujo cantochão
canta ao rés-do-chão
- ao rás do chão...,
razoavelmente

Passo no passo do sapato
que recolheu pedras no caminho
de Carlos Drummond de Andrade
cavalgando a mulinha do leite
qual fosse outro Dom Quixote de La Mancha,
digo : das minas gerais
de Minas Gerais
dos campos gerais...

Olhos d´água me molham o verso
- olhos na água que me espelha
e especula-me a solidão pétrea
de um Narciso-monge-cartuxo

Mesmo quem me toca
- toca-me tuba trombone saxofone
violino piano
ou instrumento de percussão
porquanto o homem carrega-os em si
no si musical da Musa
que inventou a música
o músico e o instrumento musical

Contudo Musa que é musa
é criatura de homem
- o criador da não-natureza
na cultura
objeto de estudo
para astuto etnólogo
empós etnografia de Malinovski
nas Ilhas Trobriand
assentados sobre atóis coralinos
( porém prefiro imaginar
a Polinésia para os Argonautas do polonês
- nautas em outras plagas
Melanésia Micronésia
território de Guam... )

O homem
o monge
o solitário...:
sou Giorgio de Chirico
e na minh'alma
a solidão tem tal acento tônico
tal tonicidade grave
que quando beijo
não me beija ela
pois quando ela beija
não há beijo meu
em correspondência
porque o beijo de Klint
nem o meu
nem tampouco o beijo dela
por mais sequioso ou ávido
que estejam os lábios carnudos
no vermelho do batom
não pode ser correspondido
- que é a solidão do homem
é barreira intransponível
ainda para a mulher amada! :
Ou o filho e a filha queridos
amados entes
( O ósculo e o amplexo
é sempre o de Heitor e Andrômaca
na escultura de Giorgio de Chirico
que olha para a perspectiva
do impensável filosófico
retratando a melancolia profunda
afiada pelo outono à tarde
- Ah! tudo é muito tarde!
para qualquer gesto desesperado
- de Klint! )

O homem sou eu
- e eu sou Giorgio de Chirico! :
ou a solidão nefasta
de Giorgio de Chirico
segue-me como sombra
sombria na noite fria
pintada a Joan Miró
na melhor noite
da solidão espasmódica da mulher
- dentro da vela da noite escura
no breu das trevas
com negro batom,
nigérrimo esmalte nas unhas
para arranhar a tez

Eu sou o homem!
- sou Giorgio de Chirico
em vasta e impensada solidão :
lancinante solitude noctambular!
Errante entre os noctívagos
vagos vagabundos vadios
errabundos vaga-lumes

Sozinho na vela da treva
navego no barco à vela negra
rompendo a treva espessa
guiado pela esguia enguia
que enche a barra da alva
na flor de laranjeira
que odora o ar
- que adora o vento
com sua fragrância
a incensar a brisa
em noite negra
na qual sigo impensável
a cavaleiro de mim
- no meu rasto
que é o único
que posso ver ou ler no chão
quer faça treva ou luz
preto no branco
do xadrez no claro-escuro
do dia e noite
vida e morte

Sou Giorgio de Chirico
em cada solidão pintada!
- e ninguém tem poder
para atravessar esta solidão espessa
entre mim e o mundo

Entre os outros seres humanos e eu
há uma barreira interposta...:
- inviolável fortaleza!

domingo, 25 de dezembro de 2011

ADVERBIAL (wikcionario wiki wik dicionaorio etimologia enciclopedia onomastico)

Passando por um renque de árvores
com pássaros cantantes
logo acima do cananeu
que não era eu
senti vontade de ficar ali
parar ali
para sempre
se a locução adverbial "para sempre"
existisse
fosse fato
e não ato pensante-pensado
e, concomitantemente, estivesse
fora do vocábulo
porquanto a existência está por fora
do outro lado da alma
espelhada em Alice
jogada e perdida no mundo
para onde foge o ser
na alienação do homem
enquanto a essência vai por dentro
roendo a vida com radicais livres
corroídos por anti-oxidantes

Quedar ali embaixo da ramagem
sentado no Buda
que sou
- que somos todos os indivíduos... :
Louco de pedra-pome,
doido varrido,
sentado em lótus
sob a alêia aléia alameda
álamo bulevar ambulacro...,
ó Manuel Bandeira!...
- senhor de tantas andorinhas!
mas que não obstante
tanta andorinha e tanto tamanduá-bandeira
não me ouve mais
porque extinto está
debaixo das ervas daninhas
sob pedra tumular
solo sobre o qual outrossim
não mais palmilha Drummond
pelo caminho da pedra
em meio ao caminho do pé
calcado no sapato torto
( o sapato velho é um torto anjo
que dá azo ao azar
e a bazar de quinquilharias )
Ambos os poetas
hoje são
o que não não são
nem tampouco estão sãos
nem são em São Petersburgo
nem ser nem santos
nem corre processo canônico
conquanto já jazem
em jazigos estão
abaixo da pedra do burgo
da pedra de Pedro
da pedra São Pedro
e da pedra que havia
a meio caminho do sapato
florido em Mário Quintana
escrito na carta de Caminha
a caminho das especiarias
e da pedra que é
o seu corpo desfeito
decomposto
na cal do osso
com o resto da alma
no sopro restante
presa nos ossos
entre ossos encerrada
sonhando com um soprador
um tocador de tuba
que a expire dessa flauta
na dança dos signos no ar
escritos em parábolas senoidais
bailarinas-musas no vento
Todavia tudo
o que descrevi
foi só um momento
que ficou engasgado no tempo
em pedra de descaminho
- para caminhar descalço
carmelita
sobre elas a caminho
para a planície do Esdrelão
- um instante de apedrejamento íntimo
( ou de liberdade cínica
- Total?!
Total só no ideal
no real não )

Foi num tempo para semear
tempo no semeador
que fiquei ali plantado
sob chuva
junto à aleia e as ervas
à sombra da alameda
doido de jogar pedra
- pedra a caminho
de Eras geológicas
profetizada em geóglifos

domingo, 11 de dezembro de 2011

INEBRIADOS (wikcionario wiki wik dicionario wiksource aurelio houais online )

Poetas olham para bar
enamoram-se do bar
flertam com bar
mergulhado à sombra das telhas
quando a tarde vai navegando do zênite
ao nadir
- que começa a nadar
no rio negro das trevas
vendadas nos trevos cegos-cegonhas
que aplainam os caminhos
de Pero Vaz de Caminha
em carta às ervas-hortelãs do rei
de Portugal e Algarve
Poetas são bêbados contumazes
adentram recinto de bar
sóbrios-sombrios
com sombreiros
e saem sobranceiros

Erram de bar em bar
a ouvir o bar-bar dos bárbaros

Quando não estão embriagados
inebriados com a vida
soluçam na escrita
de versos
vivem de versos
por versos
em versos
põe o que não é poesia
mas escrita hieroglífica-geoglífica-alfabética
da poesia surda-muda....
( Esta é uma maneira odiosa
de não viver de fato
mas sobreviver por procuração
ou teatralmente
no bufão-truão-histrião
que encarna
ou representa por escrito
na tragédia de escrever poesia
- que embora não seja um morrer
é um não-viver
uma sobrevida em andrajos
( O poeta quando escreve
já não bebe
já não fuma
- já não vive!
Apenas lembra do ébrio que foi
na infância ou juventude
maturidade ou velhice
Faz da poesia escrita
um lembrete de vida
- exercício mnemônico )

Toda minha poesia
é ilegível
e não está escrita
em antologia
ou ontologia
- A poesia prescinde do escriba

domingo, 4 de dezembro de 2011

DIREITO (wikcionario wiki wik dicionario enciclopedico etimologico aurelio) )


O conceito de negócio jurídico desenha geometricamente ( todo desenho desde Euclides é geométrico, mensura e contém formas ideias de figuras delineadas com "lápis" sobre o perímetro dos corpos figurados, sendo a geometria abstracção do conteúdo e concretização da forma : ideia desenhada, concebida sem pecado, no jargão da Igreja, a "Mater e Magister" do indivíduo ocidental em assembleia : comunidade ) um ato, que, após desenhado (tomado em corpo hipotético : hipótese, sob a abstração dos signos da língua-escrita ou cantada em coro na tragédia comunitária com seus atores-personagens ou hipócritas, que somos todos em sociedade, porquanto o viver social é um conviviver que exige personagens rígidas, desumanizadas, varadas pela imaginação da baixa literatura de Agatha Christie e Conan Doyle e não da alta literatura de Dostoievski, Tolstoi, Dickens, Machado de Assis ) se põe no mundo enquanto fato consumado.Fato é sempre a consumação de ato ou atos enlaçados, trançados no vime, encadeados .
O negócio jurídico, aparadas as filigranas dos doutos, é um negócio como outro qualquer, apenas amparado ou estribado em lei, ou que se passa sob a forma prescrita em lei. Ritos do contato e do testamento.
Todo testamento é m negócio jurídico, inclusive o Velho e o Novo Testamento bíblico, que nos remete e destina a um legado e a uma herança social e, ao mesmo tempo, é um contato social da lavra de Rousseau e da exegese de Hobbes, no "Leviatã". Enfim, um pacto, o tal contrato genérico, que se presume universal, porquanto direito é mais presunção que realidade "cognoscitiva" ; se não for muita presunção, total presunção! E nada mais que isso, fora do rito imprimido pelo princípio da razão suficiente, que presunção bastante para se pensar e fazer de tudo com o outo, desde que esteja dentro do âmbito da lei, a nova deusa e tirana, o novo despotismo, que é novo somente na aparência .Porém antes da lei emergir, vem o costume, onde se funda, onde tem pé a legislação vigente e revogada, essas deusas e senhoras das gentes e dos indivíduos. Nossas Senhoras dos Pavores dos pobres e oprimidos, protetoras do ricos e poderosos! .
Lei não fundeada em costume é lei sem âncora, ideal romântico; contudo, tal romantismo traz no bojo algo de malícia ou até maldade ( perversidade social ) e candidez angelical , ou candidez na mensagem.Aliás, "a mensagem é o meio " e o anjo ( a lei é um,a mensagem, antes de tudo : carreia dois fardos, para dizer do corpo ou alma dicotômica do pensamento que aflora na comunicação da realidade-idealidade, na qual vive o homem em corpo, alma (sem alma ou vida soprada no oboé das narinas pelo anjo torto do vento em curvas sibilinas-sibiladas, em silvos de serpente na selva ou savana africana) e espírito (sopro hebraico, da língua hebraica na boca do hebreu).
O homem, enquanto indivíduo pobre e submetido, vive sob o que "vige" a lei, que é a expressão da vontade dos que detém o poder político, que é econômico, científico, jurídico : são todos os poderes de fato e de direito, conquanto não de direito puro, ideal, enquanto ideia não alienada no mundo dos donos da sociedade e suas pertenças, dentre as quais o direito é uma, as obras de arte outras tantas e assim as fêmeas e os direitos conquistados sob o gume da espada do direito, que se passa a chamar justiça quando alguns homens remunerados com soldos ou vencimentos de magistrados representam o povo rico, contra o povo pobre e miserável, que sobra em votos nas urnas e nos esgotos, junto aos ratos e ratazanas.
A sociedade sempre foi assim : campo de ignomínia. Leia o Velho Testamento!, sem olhos de ovelha ou pastor ou doutor : com olhos de homem e mulher livres, não alienados pela quantidade de dinheiro ou cargos e encargos sociais que pesam sobre as espáduas.
E se se fala em negócio jurídico é porque há negócios escusos, que turbam as águas claras do direito dos justos e lançam âncora no mercado negro, o qual explora a parte sombria do direito : o direito negro, que faz a sombra do mercado negro, onde sobrevive a grande maioria, mormente nos países de altos índices de pobreza e desigualdade sócio-econômico, ou seja, de injustiça.Onde a injustiça grassa, é uma peste endêmica-epidêmica.
A injustiça é a falência, não ideal, mas real, concreta, não da justiça, que "existe" apenas enquanto concepção pura, ideal, mas do ordenamento jurídico como um todo coordenado , que, assim posto e executado, cuspido e regurgitado, cobre todo o território da nação, estado ou pais , distorce o real em ideal, colocando leis belas, que são pura poesia ou odes aos direitos humanos, quando deveria ser prática e práxis social, não o ideal "nobre" e humanitário, mas a realidade nua e crua.
O mercado negro faz o direito negro e movimenta a injustiça, a qual constrói a sociedade, é a práxis social, que contraria o pensamento ideal do iluminista tardio : Marx. O mercado negro e o direito negro polariza a maniquéia que, destarte, movimenta o direito, através do morto em paradoxo.
A justiça e injustiça, o positivo e o negativo, o macho e fêmea são maniquéias que movem o corpo social e o corpo natural em função matemática-maniquéia infinita, no símbolo, que é o único infinito e o único nada, pois apenas é, mentalmente, e não existencial. O ser é mental, mas nem sempre é ente ou coisa na existência, fora da essência da mente geometrizante.
A doutrina do maniqueísmo, dual, não se exprime somente na tensão entre o bem e o mal, mas extravasa essas polaridades e cria outras polarizações. O maniqueísmo é a doutrina do conhecimento, fundada na inteligência do homem ou na leitura que o homem e o animal fazem da natureza. A sociedade e o indivíduo são efeitos da maniquéia, dessa inteligencia percebida em natureza e transformada pelo homem em conhecimento, o qual é uma parte ínfima da sabedoria ou do saber vigente na inteligencia do homem e do animal, fruto da natureza dada a todo ser humano, quer seja esse "humano" homem, animal, vegetal ou mineral.
Aliás, a sociedade funciona em maniquéia, é uma máquina maniqueísta, cujas polaridades se dá e se esgota nos choques que absorvem as individualidades, embates esses que levam aos contratos ou pactos ( sociais ), cuja função é regrar a luta, socializá-la, normalizá-la ou metamorfoseá-la nos esportes, que é um rito estritamente social, que cumpre função social, socializante, ainda quando o que exprime é, aparentemente, solilóquio, tácito, unilateral, tal qual as demais formas de socialização ; a saber :os dramas representados no teatro, nos tribunais, nas novelas, enfim, nas instituições sociais, no lar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

ANABÓLICA (wikcionario wiki wik wikipedia wikisource infopedia wapedia )


A Bíblia é a leitura do homem
da natureza do homem
ou da natureza presente
no ente que é o homem
( ente e ser molhado pelo respingo do tempo
em espigas abertas ao vento que cheira
e sopra o fole diretamente nos pulmões,
coração! )
No homem-mulher
( Mário-Maria
ou Mário-mulher )
enquanto mundo-visão
ou cosmovisão
em cada tempo
enxuto no corpo
ensopado
na intempérie
que o tempera
deveras

Poetas são seres-e-entes bíblicos
no que deixam de rastos
- rastros
nos profetas-escribas
debruados à cavalo ou a cavaleiro
em cavalo debruado selado
ou sobre o "lombo" daquilo
que às vezes uma vez é
outras vezes cem vezes,
mil vezes ou milhões-bilhões-trilhões-
quintilhões...
de vezes é
qual Sócrates em Platão
de uma vez só
em diálogos
ou Cristo em Evangelhos canônicos-apócrifos...
e Moisés no monte
em decálogos
de outra vez
ou outra feita
quando "era uma vez..."
de vez
o diálogo-decálogo
extenso por extenso na dialética
que move o estilingue
e a funda de David
( Platão é só Sócrates por escrito
dentro do envelope-livro em diálogos
reproduzindo no gramofone
para voz riscada a "lápis"
o canto de Melpômene
deusa que Hesíodo criou
em agonia de teogonia
- corpo e alma
espírito da música na tragédia
- Musa!
e ai! que musa esta!
cantada-cantata em coro
corpo de coro
corporificado no coro
e na mente filológica-filosófica de Nietzsche
que descobriu
desvelou
pôs a nu o espírito da música:
A música
ou a Musa
é o espírito da tragédia! )
( E o Jesus Cristo que conhecemos
é somente Cristo por Evangelhos
- um Cristo crítico no grego crítico
língua em crise filosófica
para retratar um dito Messias
somente lido-escrito em hebraico
e para hebreu de época
- não para vivos
em outro tempo
que o bíblico
quando texto era contexto )

Tudo isso é Bíblia
e mais por aí vai e vem
da barata
ao Mahabharata!

Nessa tensão que flete
da barata ao Maabharata
e antes da barata
no escuro
e depois do Mahabarata
também em poço escuro
da noite sem tempo :
a noite eterna
interrompida do seu sono sem sonhos
apenas pelos sonhos
dos que passam pela vida
( Será que somente o homem
tem um mundo onírico por dentro
e outro por fora?! )

Pós-tremor negro
a barata vai
do pó no pós-tremor
ao Maabárata
pois a Bíblia-vida
é um releitura constante do Mahabharata
mas principalmente
- da barata!
que escreve a vida
com genes e patas
(Traria o latim
uma alma de barata
com sangue de barata?:
"Blatta orientalis"
"periçlaneta americana"
"Supella longipalpa"
"Blaberus discoidalis"
"Eurycotis floridana"
"Parcoblatta pensylvanica"
ou será que o maabárata
desbarata a barata
ou malbarata-a
ao malbaratá-la em mau barata
num polar maniqueísta do mal
que não cabe na barata
mesmo quando é uma barata-tonta ?!)

Traz o mahabharata
a alma límpida da barata
que respira
no pistão do homem-mulher
a quatro mãos-narinas,
ó Marinas das orlas marinhas!
Marílias belas
amarilidáceas!...
Oh! sete-flores-com-trombetas-sopradas-em-cor-lilás!
( Lilás é o tempo
do ananás,
Ana
anaeróbica Ana
Anabólica
porém não diabólica
no pólen maquiavélico
com músculo-musa rombóide-robótico
na flor-de-lótus
Nenúfar-Monet )

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PARCAS (wikcionario wiki wik dicionario filosofico cientifico aurelio houais )

Minha infância
está toda contida
entre algumas palavras
Cabe num pequeno contingente
de vocábulos e gente
( Pouco léxico
mas muito México! :
Muito México para parco léxico)
Enfim, um exíguo glossário
Porém pode ser narrada
no inenarrável
contido no mundo-entre-vidros
erigido com as Parcas
fiandeiras à roda da roca
e do destino expresso
em palavras-chave
e palavas-gente :
Mãe-pai-ou-pai-e-mãe ;
minh'avó : minh'alma-de-infante;
irmã-irmão-outro-irmão-irmã...
- conte-os até sete!...;
e aí-só-então-antão
vem tia Tereza!
Tia Tereza
que criava uma menina
filha de minha madrinha
de cabelos negros-longos-retintos-lustrosos-lisos-luzidios-...
ferindo a cor-não-cor-cor-"unum"-anum-da-noite-madrugada-em-zum-zum-zum
com madeixas-de-ameixas
( Uma menina de beleza-branca-branda-esfuziante-esplendorosa
mais-do-que-a-rosa-em-roseira-e-espinho
cujo nome cubro com a rosa rubra...
com o cubo-da-rosa-cúbica-enraizada
e com o nome-da-rosa-plantada-em-jardim-medievo
para ampliar segredo segregado em degredo )
Aquela menina foi
depois de minha mãe
a primeira criatura feminina
a qual amei desde o berço
- desde que a vi
ao colo ou no berço
empós a barra-da-alva-do-amor-em-figura-geométrica-materna
amada no ventre
antes do Complexo de Édipo rei
Vi-a na primeira vez de ver
( olhar-de-vez ou imaturo
fruto não maduro
não-amarelo-elo-com-o-mundo
pelo viés do olho-de-bebê escanchado ao colo )
- no primeiro ato de olhar para fora dos olhos
antes velados
depois desvelados
nos olhos daquela menina
que olhavam e viam
antes da primeira dentição...
- olhavam para dentro
e viam para fora...
Vi-a via à luz da fotografia na retina
( Via Apia! )
no olho-todo-gordo-irisado!...
Porém não sei ao certo
se ao colo ou ao berço
estava ela
bela-bela-tela-de-Modigliani-
bela-umbela-bela-singela-beladona ("Atropa belladonna" )
presa à teia-de-aranha-de-minha-pupila-dilatada
pela beladona nela
e em efeitos em mim
pois uma bela mulher
mesmo em criança
controla os destinos dos homens
enquanto Parcas
na plenitude da juventude
- tempo em exercem
poder absoluto sobre os homens
( são plenipotenciárias )
consoante entoa o canto da poesia grega
que agrega ciência-e-mitologia-e-filosofia
num só sentir-pensar em dianóia-noética
Sei que a vi
que ela despertou-me olhos e olhar
de-dentro-para-fora-e-de-fora-para-dentro
em reciproco maniqueísmo
que pervade toda ciência-do-conhecimento
e talvez penetre fundo
na raiz da sabedoria insondável
Entrementes não me lembra
se estava em berço de ouro
ou ao colo de tia Tereza...
Penso ou imagino que já é muito
evocar o que lembro
em primeiros-tempos-de-vida
para ambos os recém-nascidos
dos quais ainda ecoavam os vagidos pós parto

Não obstante me recordo plenamente
deste primeiro olhar de amor
- olhar cruzado
entre duas crianças
que se apaixonaram imediatamente
no tinir das espadas-adagas do olhar
ao se entrechocar
com a matéria-energia ondulatória da luz
retinindo em ambos os olhos
em quatro-quádruplo-não-quadrúpede
ao som do evento do encontro
de dois amores recém-nascidos
- e ao primeiro olhar!
- dado ao bem-me-quer!...
bem-me-quer...

Trago comigo a memória
( à flor-morta-da-memória )
desta paixão em primícias
Contudo, como as primícias são do Senhor...
Elohim colheu aquele incipiente amor
em oferenda agradável
levada ao altar servido pelos levitas )


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

CLAUDE MONET (Almiar em giverny , Blues Waters Lilies, Bordighera, Italy)


Uma língua em geóglifos
cantaria na ave...!
- está escrita no pássaro
canta na concepção melódica da ave ...:
e por essa música "geoglifada" na partitura avícola
descreve-a conceituando em genes
na forma do corpo anatômico e fisiológico
geométrico corpo
da ave concebida
quase sem pecado
não fosse a concepção geométrica do ser
que apaga o ente

Essa linguagem em geoglifos
- está escrita no poeta!
porquanto na alma do poeta
canta um idioma em geoglifos!
incrustado no espírito
nada santo
e paradoxalmente todo santo
se não se apegar aos fracionamentos
a revolver o homem em camadas sedimentares
dentro do poeta
o qual sobrevive no interior do homem

Todavia o homem
- o comum dos homens
não tem o poder de ler
em idioma geoglífico
graças aos seus apodos
anodos catodos geodos
e tropos : litote antonomásia
sinédoque hipérbole metonímia
metalepsia perífrase
- graças à Polímnia! :
Musa da retórica
- graças às três graças
e graças à sua graça na garça!
ó garça no paul
branca na vela da luz solar...:
- e graças à sua graça
"Stela" bela
- beta na manhã
alfa à noite

Um idioma em geóglifos
nem pode ser lido
em logos de homem
Somente pode ser ouvido
e lido na lida da escrita
naquele ato de poeta
no vidro da vida
- mas não na literatura do poeta!,
a qual dá à ciência
um pouco da esmola sapiencial
em vocábulos polifônicos
na terminologia de Goethe
Dostoievski-Modigliani
Chopin-Champollion
Platão-Planck
Euclides-Descartes
dentre outros poetas
oriundos do fundo
- do mais profundo
das várias línguas
que são linguagens
metafísicas ou matemáticas
cuja poesia
não pode ser escrita
pintada ou esculpida
senão na alma
do ornitorrinco e do ornitólogo
do macuco e do maluco
que é o homem
( - e somos nós!
poetas soterrados
por camadas geológicas da terra
no corpo e fora do corpo
ao montes nos montes
e pelos montes amontoados
em montanhas e serras e cordilheiras
vincadas pela escrita geoglifica do sol
que não lê em cuneiforme
nem tampouco em hieróglifos
grego copta
ou sânscrito dos sânscritos )

A língua geoglífica
haurida do cosmos
desce ao anjo natural
mensageiro dos poetas
porque tão-somente os poetas vitais
virais e vitalícios
e poetisas tais
( mais que tais! :
a mulher é muito mais vital-viral-vitalícia...)
têm acesso a ela
exposta em estela
ou quando amarela
na folha de outono
escrita ali
ou na asa da borboleta amarela
que passa pelo amarelo
o amarelo-canário ou ouro
pintado no espectro dos olhos
dos pintores impressionistas
à la Claude Monet
um poeta-vaga-lume de luz radiante
- ambiente

Contudo não podem escrevê-la
na sua poesia
os poetas
- mas apenas na sua alma!,
porquanto é um código
praticamente intraduzível em outro idioma
apenas passível de versão
em outra linguagem
ou outra língua
enfim, em língua-linguagem
para além de qualquer escrita para leitura e literatura
pois não está arraigada
no depois temporal do verbo
o qual inventa e emite
um tempo para inexistência do homem
- tempo para homem morto
que não tem mais tempo
junto às ervas verdejantes
esparsas nos passos dos caminhos plantados com os pés

A aventura de traduzir
tal língua em vernáculo
ou em qualquer outro código linguístico
ou de linguagem
é algo assim como fazer tradução
do galo para o francês
ou do francês ao galo
- da antiga Gália
onde vivia o gaulês
no geodo do corpo
escrito com genes
em um código de comunicação em geóglifos
- um dentre infinitos códigos de comunicação geoglífica
se há algum infinito
em linguagem matemática "algebricada"
que pensa o todo
e mais que o todo :
o infinito
e o nada
outrossim algebrizado
- o nada que denega tudo nos atos dos matemáticos
apóstolos dos poetas
e dos filósofos na nadificação
- do nado ao nada
( e do nada ao nado?!... )

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

MODIGLIANI (vida obra biografia arte moderna museu pinacoteca)

Marimbondos

Um marimbondo em preto e branco
pintalgado na entre-cor-não-cor
do tabuleiro de xadrez
ou do piso enxadrezado de um "Scotch" bar
assentou-se no meu braço
entre os pelos
no abandono confiante
de quem está em casa
ou no vespeiro
construído com barro
na palma do coqueiro
- sob a palma
ou no lado da palma da palmeira
virada para baixo
no engenhoso e impávido
desafio à gravidade
( O marimbondo põe a palma
com calma
muita calma
- virada no diabo!
lidando com a gravidade
numa casa-caixa
cujo alicerce
fica de ponta a cabeça )

Fato similar se deu com uma mariposa
em solitude sob meus pelos do braço...
- Uma térmita veio voando de longe!
flutuando
flutuante no ar
fluindo sob aguaceiro pluvial
fluída sobre o fluido fluvial
fluente
influente
afluente
fluídico
na canoa
a fluir


Esses fatos agora transcritos
foram atos desses insetos
ocorridos antes e depois das chuvas
no tempo tecido em filó
para mariposas noivas
com asas em cruz
ativas térmitas
dinâmicos demônios alados
- diabos à chuva

As criaturas de que falo
( e canto seu encanto
num acalanto para pranto de chuva! )
- vieram e vêm me visitar
pelo vagalume
o qual é um besouro lucífero
e por outros entes alados
voantes no anjo aos bandos
com banjos
conquanto anjos não existam
inexistam
Entretanto estão postados na mente humana
entre um querubim
e um serafim
- seres criadores da essência mental
a qual passa de arcanjo
com asas descruzadas
para insetos
cujas asas formam a cruz no voo
- no conceito desenhado ao planar
no plano de Euclides para geômetras
Picassos e Modiglianis...
( Insetos são anjos de verdade
- arcanjos na existência
na benção e batismo
oriundas das mãos da água fluindo
fluente vertical ou horizontalizada
- a água desenhando e moldando
- dando concepções ao barro!
- à terra que se molda em moringa
graças aos gestos abençoados
por mãos aquáticas
as quais são as mais humanas
- a água molda as mãos
de todos os seres humanos
os quais moldam o vespeiro
o cupinzeiro o castelo a colmeia
ou o ninho do passarinho
pois cupins aves lagartos e homens
são todos seres humanos
- entes moldados pela água
que desenha a vida na terra
Oh! O rascunho do galo!...
Ah! o rascunho riscado
da notação em partitura
rabiscada no pergaminho da madrugada
onde notas musicais
de melodia incipiente
para canto de galo
ficaram borradas sob o rascunho
- todo riscado!...
numa poça de borrão )

Os insetos d´água
- esses propulsores da vida
eclodem da água
e vêm de longe me visitar
( revisitação!...)
Amo de um amor de amar o mar
mar a mar a espraiar pela praia
- amo todos os insetos que vêm a mim
derramar sua benção de mar
de água pura e benta
- água da vida

Mas não seria eu que vou de voo
de encontro chuvoso com os insetos
batendo asas em cruz
em dia e noite chuvosa
- ou eles que vêm a mim?!
porquanto deles descendo
- de todos os insetos dependo para viver?!
- minha vida e minh'alma
está na gota de vida e alma
que os insetos trazem
pelos bater das asas
aparentemente silentes

Insetos e anfíbios
expressam a vida
na literatura da natureza
escrita com geoglifos
na onda eletromagnética
que dança na água
e se desenha em senóides
na arte da geometria...:
pois se se extinguir a luz
dançante na noite
mais negra que o anum
- sem a luz errante do vagalume!
ai! se apagará a vela das estrelas
nos olhos apagados
riscados do rascunho!
Olhos de todos os viventes
então cegos e sem sol
e consequentemente sem água
pois a água é a concubina do sol

Sem o sol
que anima os pirilampos
apagar-se-á toda luz cambiante
furtada nas águas-furtadas
emitidas a pinceladas pelos olhos verdes
descidos ao mar
e subindo em águas-furtadas
( - "homem ao mar!"
"olhos verdes ao mar!"
grita o marinheiro
ao se deparar com o verde
- ao verde em pastoral
emergindo dos olhos do meu pai!
- uns olhos para acender sonhos
- no universo... )

Outrossim
dos olhos castanhos
será despejada a luz

Dos olhos negros
sem a alma de Lúcifer
a luz não deixará pagadas
de sapatos ou pés descalços
Lúcifer
o cavaleiro negro da luz
de olhar negro
a contemplar um sol negro

Dos dois azuis olhos
em face cândida
de um azul cerúleo... :
- do dúplice azul cerúleo!,
refletido no mar,
enquanto olhar para barco e veleiro
- duplo olhar
do homem em ato
e do Narciso em mito
Dos olhos decíduos
junto às folhas
descaindo na graça da força
centrípeta e centrífuga
emitida pela turbo-hélice de outono
quando sopra o anjo no vento
no moinho de vento
do anil para a grama
- esses olhos postos no anil do céu
e posteriormente
descidos descalço à terra-terra
água-água
terra-água-e-água-terra
da realidade natural
existencial e essencial :
- água-terra!
são olhos angélicos
em folhas amarelas outonais
com anjos decaídos
sob suas asas ininteligentes
( folhas ao vento soltas
são asas sem inteligência
- sem a inteligência montada nas asas da borboleta
que dão liberdade de escolha
contra o despotismo do vento
ventríloco )

Mas quem lê o livro natural
de excelsa poesia
pura filosofia
plena sabedoria
- obra decodificada em vida?!
O Livro da Vida escrito pela vida
enquanto poetisa
no seu código geoglifico...
escritura em água e terra...
- profusamente filosófico... )

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"DELONIX REGIA" ( wikcionario wiki wik dicionario etimologia wikipedia wapedia )


Que a chuva molhe
a mole do edifício Flamboyant
que avisto de longe
na dobra da curva sul
ou do desvio para norte
quiçá este ou acaso
o ocaso em oeste

Denso sob a chuva tensa
em densidade e tensão
com envoltório de nuvens plúmbeas
tipo auréola de santo
o Edifício Flamboyant
mostra suas quatro faces na mole
que a chuva molha
com seu molho de água
e outros predicados da água

Que a chuva molhe a mole!...
- com o molho de água
condimentada no céu!...
descendo pelas escadas
do que era azul
e agora é vegetal
- anileira plantada de ponta cabeça
num céu para anil
que anuncia o anum
na noite com lua estendida em cimitarra
ou em foice nigérrima
escurecendo o latim
envolvendo o latim em matéria negra

Na dobra da curva
entre a folhagem de uma árvore
dada ao vento galopante
( o vento é o cavalo baio
a cavaleiro do ginete amarelo...
a cavalerio do cavaleiro amarelo do apocalipse!
que nada no vento
há muito tempo
sem outro evento...)
surge e insurge
detrás de uma palmeira altaneira
que sobe de longe na mole abstrata
- surge insurgente a mole concreta
apalpada pelos olhos
- a um tempo concreta
no concreto armado
e abstrata no líquido ou gás
com que a trata a mente química
a escavar no nada dado à mente
a geometria invisível
abstraída de algo inominável
que fica antes do tempo medrar no Relógio de Areia
e criar com areia na ampulheta
o espaço em espasmo para a alvenaria da mole
se moldar e molhar em mole de edifício
no derrame da clepsidra
que deixa mole a alvenaria da mole
e faz a massa
e amassa a massa
com areia na face de quem chora
- um pranto que se derrama
na chuva que move com erosão a areia
da face da mole...
- um olhar que vai além da mole
e da visão da mole!
no horizonte ocular
- oculado ou não desenhado na geometria ocular
enquanto o olhar a perspecrutar sobe
numa subida em escala de perspectiva
palmilhando cumes de fetos arbóreos próximas ao coqueiro
- contemplativo a cismar no ar
para voar de milhafre e pomba ao cinza
e assentar no topo da mole
- da mole do edifício que surge subitamente
abruptamente
face a mim
passo a passo no meu passo ritmado
no compasso do espaço circundante
ambulante e avante
enquanto ouço ou imagino ouvir
o tempo na voz do fonógrafo
cantante no fonógrafo de época
( gramofone sem museu )
em tecitura de flor de algodão para timbre
de alguma cantora do rádio

Que molhe a chuva intermitente
a mole do Edifício Flamboyant
( "Delonix regia")
a mole imersa no molho da chuva
no molho de ervas aromáticas vendidas na feira
antes de estar na chuva
e mesclada no ciclo da água
- que molhe com o molho
a mole do edifício
que avisto no horizonte
tenso e denso
com densidade aquática
quando há tempestade
lavando os corredores ou escadarias dos ares
por onde Jacó subiu em escada
e a liana foi atrás
espargindo seu rasto verdejante escadaria fora
e levando ervas daninhas
danosas apenas no espargir o verde
porquanto tudo quer o verde
e as ervas com pés plantados
no coração do verde
as quais tomam de assalto
os castelos e as choupanas
sem beligerância
que é atitude exclusivamente humana
não herbácea ou vegetal
que a vida é vegetativa
e consequentemente useira e vezeira em tolerância
contemplada na contemplativa filosofia grega
pensamento já vegetativo na alma dos pré-socráticos
- pensadores voltados ao estudo da física
que deixaram a percepção da poesia
que é a forma do belo
na alma do filósofo grego
- e este descendente direto dos poetas
que é o filósofo grego
ao perceber o belo
passou a utilizá-lo outrossim
para desvelar o mistério do pensamento
retirando o véu
que cobre as coisas e objetos
com luz ou sombra
no xadrez da cognição
a fim de que o filósofo visse a realidade
e dando uma vela aos cegos
para que vislubrasse o símbolo
no jogo complexo da aletheia
- que é um xadrez
jogado nopreto e branco
da caverna de onde emergiu Platão
do espaço sombrio
para a luz radiante do sol
a velar com sua luz "branca"
de zênite ao nadir
ou do anil ao anum
quando do dilúlo ao crepúsculo
o céu vai de azul
na travessia de sua barca

Vejo a mole do Edifício Flamboyant
com olhos na chuva
sem chapéu ou guarda-chuva negro
em dia que rasga o olhar
com as adagas da chuva
amoladas e mui "contusas"-cortantes
com o sol embuçado sob nuvens cinzentas
- o sol qual fosse um cavaleiro negro
ou um guerreiro ninja
ou ainda um monge negro
no dominicano de olhos mortiços
que abria o Livro dos Mortos
e lia a sentença da inquisição
- ou o que batera o Martelo das Bruxas
inexorável
em companhia de seus cem olhos
sem abrolhos
em língua de Evangelho
( O sol oculto por nuvens acinzentadas
toma penas de anum
e passa pelo cavaleiro negro
cujo ginete enceta e inventa o apocalipse
sem João nem ninguém
- nem também amém )

A mole do Edifício Flamboyant
em cujo frontispício ficou gravada
minhas inúmeras faces
multifacetadas pelas obras de Picasso
em rostos de mulheres que tomam cubos
- senhoritas em raízes cubicas
planificadas numa geometria
em amostra e demonstração frontal na obra
do que denominam cubismo
meus rostos expostos em geometrias
euclidiana e não-eclidiana
passa por cubos no espaço
enquanto o tempo vai desmanchando
a minha face com água cúbita
- face feita de areia de ampulheta
um silicato na mineralogia
um relógio de areia para o tempo
- um espelho de areia
que a água da clepsidra dá à erosão paulatina
na lâmina d'água para lavar o rosto de Narciso
- lavar até afogar
erodindo toda a areia
inclusive para olhos não vidrados em gema esmeralda
safira azul negro de pérola
ou castanho dos cabelos e olhos
de quem olha e ama o mundo
com alguma cor viva nos olhos
ainda distantes das areias na ampulheta
que produzem a morte vítrea
nos olhos arregalados
revirados pelo avesso do último olhar
mas agora e aqui postos molhados na verde palma
que dá um discreto adeus na palmeira
ou mexe as palmas freneticamente
ao vento da borrasca
aplaudindo com uma alegria de menino
que começa a olhar a vida
e sentir as ondas de emoção tomar o corpo fisiológico
em primeiro tempo de química
tempo de arqueólogo em vida
botânico vivo
zoólogo na existência
e não na teia da essência
ou da quinta-essência...:
- Essência exalada do olíbano
não mais enquanto árvore
mas através da matéria-prima
que é a resina colhida do vegetal
e industrializada como incenso
ao descer ao mercado
negro ou branco ou amarelo
o qual é sempreesses três magos?!
( arqueólogos têm alma antiga
enterrada sob montes de areia
e pensam sob as normas do onírico
que estão a escavar
o próprio corpo
com a mente intacta gravada na pedra
a voz no fonógrafo guardada no cantor
e o espírito escrito em três línguas de fogo
nas Tábuas de Moisés
e na Pedra de Rosetta
de Champollion
Egiptólogo e paleotólogos
e geólogos também sonham
sob o veú dessa inteligência surrealista )

Olho a Mole Antonelliana
na mole do Edifício que vejo
cujos números não aprenderam a andar
na sequência Fibonacci
Fato que não tolhe a chuva
é a mole exposta ao molho da chuva
nítida na retina
Face a mim que a olho
atrás da retina colada em cada tapa-olho
de vetusto pirata do Caribe
a mole é o objeto ante minha face
é minha imagem de Narciso
ou o objeto que me dá a coisa
velada pela luz da vela solar
que a cobre de véu branco de noiva
na grinalda de flores de laranjeira da terra
sob a luz da vela lunar
que não é vela
mas veleiro com vela inflada
pelo sopro de anjo da luz solar
luciferina luz
cobrindo o todo com a vela
que é um toldo no todo
o qual jamais deixa algo desvelado
mesmo quando cai a noite
e a noite o véu das sombras
tecido na treva
vela sem acender a vela
- vela apagando a vela solar
quando não acende a vela das estrelas
ou a luz negra
- a face negra do véu
sobre os cableos negros da noite
no encaracolar das trnças longas
( O objeto no fenômeno
é o véu que oculta a coisa
na filosofia de Aristóteles a Kant
passando pela fenomenologia de Hegel a Husserl
em novo surto filosófico )

Olho a Mole Antonelliana
porém não vejo molho matemático
em sequência Fibonacci
escrita e lida no sumo da chuva
a escorrer mole abaixo
pendente em pensante cascata
a descair mole lânguida voluptuosamente...

Entrementes na Pedra de Rosetta da mole
e da escrita em água de chuva
escorregando mansamente
pela estela da mole do edifício abaixo
e tornando o signos mutantes
gota a gota ilegíveis
a cada gota no conta gota da chuva fina
entranhando-se na escrita
e na leitura dos hieróglifos
e geóglifos ali grafados
pelo mestre tempo
senhor e deus de toda a literatura
desde antes da escrita cuneiforme...
gota a gota no conta gota
indecifráveis
indevassáveis
- tanto que pouco ou nada decifro
do que nada em gota
gota a gota
em conta gota
do enigma posto na Esfinge de Gizé
sob línguas de fogo
em um falar e escrever do tempo
escritor em quatro línguas matrizes :
alfabética, hieroglífica, cuneiforme e geoglífica
- o tempo na mente
na boca
na língua
na garganta
e na mão do homem
a traduzir e analisar
o livro em geóglifos
escrito no corpo humano
em anatomia e fisiologia
e em toda a terra
dos minerais às gemas preciosas
dos animais às ervas daninhas
- a pastar vacas no campo
na terra de onde retiram a seiva
e de onde se originam o gado bovino
e todo o arcabouço da vida
tirada da alma da planta
nada cristã ou peixe
desenhado no símbolo ou real
a nadar na água
enquanto alma da água
no mover a língua em latim vetusto
escrito e falado por Júlio César
numa Roma antiga
antes do Cristo

Todavia dentro de mim
vejo-a elucidada pela função onírica
de um Champollion
operante dentro do sonho
com o olhar voltado a um onírico em vigília
- não de olhos cerrados pelas pestanas
ocultando sono e sonho
mas de olhos vigilantes e leitores
olhos de escribas bíblicos
e decifradores de enigmas em línguas
- olhos de Champollion, enfim!
do sábio erudito que lê
e concomitantemente reescreve a estela
que aqui é a mole
mas alhures á a vida
que começa a andar
nos movimentos em tempo geológico
nos minerais
- e a passo de mineral
segue até o movimento
com tempo menos lento
nos vegetais
e por fim na velocidade do animal
cuja celeridade marca com significado o termo alma
que o latim cunhou
para designar o movimento em tempo atual
- o movimento do animal
único mover captado pela percepção
dos homens de então
( homens de antanho )
pois então em antanho
não havia a percepção do tempo geológico
nem evidentemente a escrita do tempo geológico
na língua falada e escrita pela Terra em geóglifos
reescrita posteriormente pelos eruditos
em tratados de geologia
nem se imaginava o dançar das ervas
e o caminhar da liana e da trepadeira
que escala a torre do castelo feudal
- trepadeira mimosa
a por flores na forma da trombeta
do anjo do apocalipse
na Glória Matutina
com sua floração matizada num lilás com azul
( A alma que evolou do latim
de Roma Imperial
para o latim de Roma no Vaticano
e Roma em Bizâncio
volatizou a palavra a alma
que foi exilada do mundo natural
para um imaginário universo sobrenatural
paralelo ao da física atual
Oh! Meus Deus!
- quanta bolha em minh'alma! )

Que a mole...
- que à mole não molhe a chuva
mas a mole molhe a chuva
o que é impossível
enquanto fato
porém passível de realização
quando ato mental
vestido de arlequim
e saído de dentro do ovo de um sonho amarelo gema
( Esse sonho
arlequim e ovo
é o homem e a mulher
emergidos do sonho de amor
- paixão em espaço sempre fatal )

Espero por fim
e para por fim
que a chuva que cai dentro de mim
com a dureza do granito
quando chove granizo
não vá se esboroar
feito a bilha na fonte
ouvida ainda hoje na voz do Predicador
- no canto que anuncia o início da escuridão em vida
tempo descrito no Eclesiastes
que canta desde tempos geológicos
na poesia escrita em geoglifos
depois em hieróglifos
nos idiomas alfabéticos
e que ainda canta hoje
no silêncio sublime da melodia da poesia
que é uma inteligência universal
presente no cosmos
- a mover-se sem motor
a desenhar sem geometria
e a cantar sem som...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

CHAGALL ( A praça da concórdia, paris, 1960 - vila cinzenta, 1924 - cesta de frutas e ananás, 1964 )

Olhar a obra de Chagall
é um desafio poético
além de pictural
- uma invasão à filosofia vegetal do artista
pela decodificação do pensamento vegetativo
do poeta plantado em jardim próprio
- próprio Jardim do Éden e das Hespérides
ambos silvestres dentro do corpo pensante do poeta plástico
- corpo de fauno
para não titubear na semiótica
quando da leitura e posterior escritura
dos geóglifos individuados em cada ser
pelas circunstâncias naturais
e o contexto historial do indivíduo
que é tão único
que não se pode buscar o homem morto
nos rastos de seus filhos na aurora
ou na noite tenebrosa
porquanto os filhos possuem dele
e postam dele no ser
um pedaço desprezível e amuado daquele ser
que na filha vira em muxoxo feminino
pois na reencarnação possível
na graça da escrita genética
o karma é outro
- outros atos e fatos
fazem um ser
que guarda do homem morto
apenas o rasgar do espelho na água

Observar a pintura do artista surreal
é proceder a uma devassa no espírito do filósofo
o qual tem o poder de minorar ou majorar a engenharia na vida
porém não tem poder algum sobre a vida
assente na planta da alma
nem quaisquer recursos contra ou a favor
dos ventos que sopram a alma para o interior da árvore da vida
( a árvore em ritmo de folhas e inflorescências
dentro do corpo humano
que é outrossim um corpo de fauno
meio a meio em anatomia e fisiologia para homem e fauno
- sopra de dentro do anjo que está dentro da forma arbustiva
herbácea ou arbórea
ventos para tocar o veleiro alegórico de Salvador Dali
- que é salvador dali
mas está sempre aqui
- no coração do fauno
o qual é a vida ou alma vegetal
alma em vegetação ou Flora
e na mixórdia do mito
- rito bizantino responsável pela mescla massiva
que faz o animal e o homem
emergindo do corpo anatômico e fisiológico do animal
desenhando a geometria no corpo metafórico do fauno
nos projetos em debuxos e gravados
que faz a poesia nascer
na alma do poeta
- e com a poesia se desenha o corpo humano
anatômico e filosófico
fisiológico e científico
( A poesia é uma clorofila em verde
impregnada na alma do ser humano
e uma pérgula com um anjo azul
e outro anjo sorrindo surrealista
na alma de Salvador Dali

Ah! e a queda do anjo!
com anjo feminil de Chagall em queda livre
com todo o entorno tecendo as circunstâncias :
- com um violino mudo
sem mãos de violinista que o toque
baqueta em cruz
( tudo desenhando um pré-violinista
filho da álgebra árabe
e da geometria grega
duas filosofias para as artes )
violino cruzado-cristão!
ou em cruz sobre o túmulo da música
na estrada cristã
pois a cruz é uma asa desajeitada
que os incautos imaginam que tem a capacidade de voar
além das águias e do falcão peregrino
grudar céu no azul
- no alto azul )

Sol amarelo
vela pálida
burro lívido
mulher com criança ao colo
Cristo crucificado
transeuntes basbaques
com a aldeia ao fundo
casas tortas embriagadas
em passo trôpego de ébrio
que chega da noite pelo rasto alvo da manhã
refletida no orvalho hialino
e figuras negras se retorcendo nas trevas
atrás do feminil anjo escarlate
em túnica carmesim
caindo da altura do céu
- do céu da alma de Marc Chagall!
poeta plástico )

Pairar com o olhar mergulhado sobre a obra de Chagall
é um desafio estético e sapiencial
não de mergulhão
com o cérebro nadando no sangue do peixe
( mergulhão-de-alaotra
ou grebe-de-alaotra
mergulhão-de-touca... )
e procedendo a um périplo pelas Antilhas
respirando água e terras ilhadas
no mar do Caribe ou dos Caraíbas
que foram extintos pelos arrivistas )

Por os pés dos olhos nos caminhos pictográficos de Chagall
é uma invasão bárbara à gnoseologia do autor
empreendida pelo pensamento vegetativo
do poeta aberto ao espaço e tempo da vida
- uma devassa na alma do artista
que fica num enclave entre o vegetal
e o sistema nervoso vegetativo
que desvela o universo em poesia
e a vida em glicose
com uma simplicidade e de uma forma tão versátil
com versos em hemistíquio
e melodia em cacofonia para diatribe
( Alma é flora e fauno
e não o avantesma cristão
- velado abantesma! )

Admirar a obra de Chagall
é observar o homem morto
emaranhado em sua criação
retratado nas suas invenções
codificado na vida
através de signos e símbolos
que fabrica a linguagem poética e matemática
ambas em lógicas diversas
para cada sistema encefálico :
o sistema nervoso central
e o sistema nervoso autônomo
dois modos de pensar
sendo s sabedoria concernente ao sistema vegetal
e o conhecimento ao sistema nervoso central
que limita o ser humano à razão e sensibilidade
( sistema canhestro e anti-fauno )

O artista é irracional
pleno do fauno
quando grafa e pinta a poesia plástica
em sua obra de arte
submetida às normas de uma gramática
que atravessa o imaginário
- arraigado na raiz
que bebe do pensamento em terra
onde está a erva assente
( As ervas andarilhas
são amazonas galopando na ventania
à revelia da credulidade dos estultos
porquanto são filósofas cínicas
compêndios e enciclopédias vivas
com o sistema nervoso autônomo
simpático e parassimpático
que pensa a alma dentro de uma arquitetura
a qual realizam na estrutura de uma engenharia
para ervas formas arbustivas lianas trepadeiras em pérgulas
e outros agentes vegetais
que sintetizam e mantêm a vida
enquanto houver alma na atmosfera
e não sobrarem apenas as bactérias anaeróbicas
- as quais não respiram por alma
ou não captam a alma
nas camadas do ar

As ervas peregrinas
são cépticas no que tange ao Apocalipse
e outros eventos-sonhos ou pesadelos
que pesam nas pálpebras do homem que dorme
- quase como o homem morto
que será um dia
ou noite sobre o dorso do negro corcel a galope desenfreado
levado para nenhum apocalipse real
porém apenas para um ritual em teatro
- sempre religioso é o teatro
a cantar o bode ou Pã
ou outra encarnação mítica
que a miragem do homem no deserto
faz crer real )

Nietzsche transcreveu
num racionalismo irracional
sobre o que há de radical na tragédia
pois a vida é trágica
irracional e vegetal
e pensa a alma pelo método vegetativo
que é uma bifurcação do pensamento
nas terras conquistadas pela floresta das amazonas
- pela amazona que cavalga e apeia da lenda
numa versão feminina de Alexandre Magno
cavaleiro originário da "Magna Grécia"
cuja onomástica não tem compromisso com a historiografia
ou quaisquer outras ares de ciência
sem licença poética

O poeta é irracional
no que põe o ser em hieróglifos
sob forma de poesia
ou vegetação interior
- arraigada ao solo
e aos símbolos nos geóglifos
que dança a dança das três Graças de Canova na poesia
Empunhando o clarinete
bebe o pensamento da terra
que Nietzsche transcreveu
numa racionalização do irracional
posto na solenidade dramática do ritual trágico
pois a vida é tragédia irracional cantada em coro
e vegetal em soro

O vate pensa a alma pelo método vegetativo
sendo o filósofo natural
propagando a filosofia do sistema nervoso vegetativo
esparso na inflação das ervas
exércitos que tomam tudo de assalto
- até a alma
que é uma parte de erva no fauno
( O irracionalismo do filólogo e filósofo alemão
tem um quê de vegetativo
Aliás, é todo o pensamento vegetal profundo
- um pensar vegetal ou vital
a perambular pelo corpo do fauno na vida
e na alma pagã
- que é a vida em verde )

O artista é racional entretanto
ao se utilizar do conhecimento erudito
que é uma forma mitigada
do pensamento vegetativo
mais ancho e criativo
- pensamento criador
( O criador está no núcleo deste pensamento
arraigado nas ervas do sistema nervoso vegetativo ou autônomo
que cuida de manter a alma viva e pensante
na criança com a primavera no corpo
no jovem na intersecção com o fauno
a flora ninfas nereidas
Afrodite Calipígia
Vênus de Milo...
No que tange a lira lírica
concernente ao adulto e ao velho
com a devastação do inverno
e o advento do outono amarelo
- amarelo cavalo do Apocalipse da amazona
com inflorescências amarelas em clarim e trombeta
ressequidas floradas no fim do lilás
do saxofone em fim de improviso musical
a soprar anjos que caem
no tombar das folhas decíduas
de planta caducifólia... )

Ler a obra de um artista
é um trabalho ingente
porquanto demanda uma leitura bifurcada
que se estende da leitura viva do leitor
à leitura morta do poeta
que levou consigo todo um tempo irrecuperável
debaixo do rosto de hera e lodo
que a chuva trouxe
e semeou ao pé do jazigo triste
- de uma melancolia inenarrável
em cada gesto dos operários que o erigiu
ou nas palavras piando desamparadas na lapide
- palavras perdidas
que lembram uma ave perdida de sua mãe
a piar desesperadamente
- o inútil pio do pio ser
( do Pio Papa! )
desenhado por toda a parte
sempre na forma da "Piedade" expressa por Micheangelo Buonarotti
que vaticina toda a dor da vida
com Maria Pia
pranteando o homem morto
no filho morto
- morto em Cristo!
...para a morte eterna

Chagall apenas se lê
e se torna surreal
no canto do galo
quando a alma vem em olhos de quem lê
- de quem abre os olhos dos signos e símbolos
na manhã álacre com o passo no pássaro
que canta todo o candor impresso na barra da alva
ou na flor de laranjeira
flutuantes na alma vegetal das noivas do pintor
( Alma é sempre vegetal
- glicosídeo que sustem a vida
em sintonia fina com o significado em latim )

O pintor da aldeia russa
executou muitos poemas plásticos
com um violino de violinista azul
para acessar o que é celeste em Paganini ou Mendelssohn
e outro violino de violista verde
pastoreando rebanhos de ervas com o vento
em suas pastorais em silêncio áureo
- na calada da noite severa
onde se enredou a tragédia do homem morto
no silêncio do respirar dos violinos
- interlúdio
( Um Stradivarius e um Amati de Cremona )

Chagall é o homem morto
o não-ser universal do homem
que vem do escuro ao lume
e vai de volta da luz ao mar de trevas noturnas
aonde não estava nem era antes de nascer
usufruir do natal
e da curta vida de caramujo
com toda a gravidade de Atlas às costas
na costa do Atlântico ou do Pacífico oceano
- mar oceano

O homem morto eu conheço
ou reconheci na máscara mortuária de meu pai
na mortalha de alguns amigos
em peregrinação ao Hades
descendo ao Seol

Todavia a mulher morta
não conheci senão uma :
- minha avó!
Ela é a Ofélia de Hamlet pintada por Shakespeare
nos quadros com noivas de Chagall
- noivas da vida e da morte
consoante esteja a flor de laranjeira
com alma de perfume desde a barra da alva
fechando os olhos belos e jovens da noiva
com o orgasmo nupcial
após o coito subsequente ao matrimônio na aldeia russa
ou então os olhos vidrados
a contemplar a escuridão inicial e final
na solidão do espasmo da morte
- dançando com um miosótis!...

O homem morto
- a mulher morta
nesta ladainha social
é mais presente e atuante intelectualmente
ou espiritualmente
se o veículo for a religião
do que o homem vivo
- nós que estamos "por aqui!"
( imagine o gesto sugerindo cortar o pescoço
ou se preferir a cabeça dada ao carrasco )
ainda andando em pré-morte
empós o pré-natal
subjugados aos vivos capitães
aos respectivos cônjuges
que se agriolham mutuamente
( casamento putativo! )
e até aos mortos com fundo fóssil
são outros tantos capitães ou capelães
- para cobrir a cabeça
e não ousar descobrir nunca

O mundo vive do medo
que inculcam ao indivíduo
e o indivíduo é o mundo
- o universo preclaro-estelar
e tudo o mais que salta aos olhos
e cabe ouvidos adentro
- tudo que escuta ao percurtir nos ossos do martelo e da bigorna
do ferreiro em oficina no ouvido interno
que temos e somos Vulcanos auditivos
- e tudo o mais que avança e toma de assalto
o cosmos e a cosmologia
a cosmética e a cosmogonia
com a legião de captores de cheiros à frente
armada em infantaria no cavalete de cartilagem do nariz
( as narinas a resfolegar
qual corcel bravio na batalha do apocalipse
a abrir a flor em fragrâncias
em Guerras Púnicas )
- a tez que cobre o frio em corpo
( encorpado xarope com uva para o tinto das coisas
invisíveis de outro modo
- tirantes ao insensível
que viaja vago no espectro
mas não nos olhos em viés geométrico não-euclidiano )
e experiencia a tepidez da manhã anã amarela
tímida ao ser suspensa no azul
e cuja experiência experiencia ela própria
useira e vezeira da doutrina do empirismo
e no ato de auto-experenciar )
que ronda o espírito humano

Tudo e todos é o indivíduo
e não existe mais nada
excepto a nadidade
dada pelo indivíduo
posta ou postada pelo indivíduo
único ser e ente ser solitário no mundo
entre entes
- é um solipsismo de eremita
condenado a uma solidão
insulado na ilha que é
Robinson Crusoé em melancolia perene

Tudo o que está na existência é o indivíduo
- inúmeros deles isolados em si
presos à ilha de dentro
pois há miríades de indivíduos!
- e o sentido da gustação
é a ciência que demonstra num teorema de gastronomia
que tão-somente existe o indivíduo
de onde parte tudo
e nasce o mundo social e o universo
até o dia da morte de qualquer um dos indivíduos
- cada um prova o seu bocado
isoladamente
insulado no arquipélago do sabor individual
que é incomunicável