domingo, 11 de dezembro de 2011

INEBRIADOS (wikcionario wiki wik dicionario wiksource aurelio houais online )

Poetas olham para bar
enamoram-se do bar
flertam com bar
mergulhado à sombra das telhas
quando a tarde vai navegando do zênite
ao nadir
- que começa a nadar
no rio negro das trevas
vendadas nos trevos cegos-cegonhas
que aplainam os caminhos
de Pero Vaz de Caminha
em carta às ervas-hortelãs do rei
de Portugal e Algarve
Poetas são bêbados contumazes
adentram recinto de bar
sóbrios-sombrios
com sombreiros
e saem sobranceiros

Erram de bar em bar
a ouvir o bar-bar dos bárbaros

Quando não estão embriagados
inebriados com a vida
soluçam na escrita
de versos
vivem de versos
por versos
em versos
põe o que não é poesia
mas escrita hieroglífica-geoglífica-alfabética
da poesia surda-muda....
( Esta é uma maneira odiosa
de não viver de fato
mas sobreviver por procuração
ou teatralmente
no bufão-truão-histrião
que encarna
ou representa por escrito
na tragédia de escrever poesia
- que embora não seja um morrer
é um não-viver
uma sobrevida em andrajos
( O poeta quando escreve
já não bebe
já não fuma
- já não vive!
Apenas lembra do ébrio que foi
na infância ou juventude
maturidade ou velhice
Faz da poesia escrita
um lembrete de vida
- exercício mnemônico )

Toda minha poesia
é ilegível
e não está escrita
em antologia
ou ontologia
- A poesia prescinde do escriba

domingo, 4 de dezembro de 2011

DIREITO (wikcionario wiki wik dicionario enciclopedico etimologico aurelio) )


O conceito de negócio jurídico desenha geometricamente ( todo desenho desde Euclides é geométrico, mensura e contém formas ideias de figuras delineadas com "lápis" sobre o perímetro dos corpos figurados, sendo a geometria abstracção do conteúdo e concretização da forma : ideia desenhada, concebida sem pecado, no jargão da Igreja, a "Mater e Magister" do indivíduo ocidental em assembleia : comunidade ) um ato, que, após desenhado (tomado em corpo hipotético : hipótese, sob a abstração dos signos da língua-escrita ou cantada em coro na tragédia comunitária com seus atores-personagens ou hipócritas, que somos todos em sociedade, porquanto o viver social é um conviviver que exige personagens rígidas, desumanizadas, varadas pela imaginação da baixa literatura de Agatha Christie e Conan Doyle e não da alta literatura de Dostoievski, Tolstoi, Dickens, Machado de Assis ) se põe no mundo enquanto fato consumado.Fato é sempre a consumação de ato ou atos enlaçados, trançados no vime, encadeados .
O negócio jurídico, aparadas as filigranas dos doutos, é um negócio como outro qualquer, apenas amparado ou estribado em lei, ou que se passa sob a forma prescrita em lei. Ritos do contato e do testamento.
Todo testamento é m negócio jurídico, inclusive o Velho e o Novo Testamento bíblico, que nos remete e destina a um legado e a uma herança social e, ao mesmo tempo, é um contato social da lavra de Rousseau e da exegese de Hobbes, no "Leviatã". Enfim, um pacto, o tal contrato genérico, que se presume universal, porquanto direito é mais presunção que realidade "cognoscitiva" ; se não for muita presunção, total presunção! E nada mais que isso, fora do rito imprimido pelo princípio da razão suficiente, que presunção bastante para se pensar e fazer de tudo com o outo, desde que esteja dentro do âmbito da lei, a nova deusa e tirana, o novo despotismo, que é novo somente na aparência .Porém antes da lei emergir, vem o costume, onde se funda, onde tem pé a legislação vigente e revogada, essas deusas e senhoras das gentes e dos indivíduos. Nossas Senhoras dos Pavores dos pobres e oprimidos, protetoras do ricos e poderosos! .
Lei não fundeada em costume é lei sem âncora, ideal romântico; contudo, tal romantismo traz no bojo algo de malícia ou até maldade ( perversidade social ) e candidez angelical , ou candidez na mensagem.Aliás, "a mensagem é o meio " e o anjo ( a lei é um,a mensagem, antes de tudo : carreia dois fardos, para dizer do corpo ou alma dicotômica do pensamento que aflora na comunicação da realidade-idealidade, na qual vive o homem em corpo, alma (sem alma ou vida soprada no oboé das narinas pelo anjo torto do vento em curvas sibilinas-sibiladas, em silvos de serpente na selva ou savana africana) e espírito (sopro hebraico, da língua hebraica na boca do hebreu).
O homem, enquanto indivíduo pobre e submetido, vive sob o que "vige" a lei, que é a expressão da vontade dos que detém o poder político, que é econômico, científico, jurídico : são todos os poderes de fato e de direito, conquanto não de direito puro, ideal, enquanto ideia não alienada no mundo dos donos da sociedade e suas pertenças, dentre as quais o direito é uma, as obras de arte outras tantas e assim as fêmeas e os direitos conquistados sob o gume da espada do direito, que se passa a chamar justiça quando alguns homens remunerados com soldos ou vencimentos de magistrados representam o povo rico, contra o povo pobre e miserável, que sobra em votos nas urnas e nos esgotos, junto aos ratos e ratazanas.
A sociedade sempre foi assim : campo de ignomínia. Leia o Velho Testamento!, sem olhos de ovelha ou pastor ou doutor : com olhos de homem e mulher livres, não alienados pela quantidade de dinheiro ou cargos e encargos sociais que pesam sobre as espáduas.
E se se fala em negócio jurídico é porque há negócios escusos, que turbam as águas claras do direito dos justos e lançam âncora no mercado negro, o qual explora a parte sombria do direito : o direito negro, que faz a sombra do mercado negro, onde sobrevive a grande maioria, mormente nos países de altos índices de pobreza e desigualdade sócio-econômico, ou seja, de injustiça.Onde a injustiça grassa, é uma peste endêmica-epidêmica.
A injustiça é a falência, não ideal, mas real, concreta, não da justiça, que "existe" apenas enquanto concepção pura, ideal, mas do ordenamento jurídico como um todo coordenado , que, assim posto e executado, cuspido e regurgitado, cobre todo o território da nação, estado ou pais , distorce o real em ideal, colocando leis belas, que são pura poesia ou odes aos direitos humanos, quando deveria ser prática e práxis social, não o ideal "nobre" e humanitário, mas a realidade nua e crua.
O mercado negro faz o direito negro e movimenta a injustiça, a qual constrói a sociedade, é a práxis social, que contraria o pensamento ideal do iluminista tardio : Marx. O mercado negro e o direito negro polariza a maniquéia que, destarte, movimenta o direito, através do morto em paradoxo.
A justiça e injustiça, o positivo e o negativo, o macho e fêmea são maniquéias que movem o corpo social e o corpo natural em função matemática-maniquéia infinita, no símbolo, que é o único infinito e o único nada, pois apenas é, mentalmente, e não existencial. O ser é mental, mas nem sempre é ente ou coisa na existência, fora da essência da mente geometrizante.
A doutrina do maniqueísmo, dual, não se exprime somente na tensão entre o bem e o mal, mas extravasa essas polaridades e cria outras polarizações. O maniqueísmo é a doutrina do conhecimento, fundada na inteligência do homem ou na leitura que o homem e o animal fazem da natureza. A sociedade e o indivíduo são efeitos da maniquéia, dessa inteligencia percebida em natureza e transformada pelo homem em conhecimento, o qual é uma parte ínfima da sabedoria ou do saber vigente na inteligencia do homem e do animal, fruto da natureza dada a todo ser humano, quer seja esse "humano" homem, animal, vegetal ou mineral.
Aliás, a sociedade funciona em maniquéia, é uma máquina maniqueísta, cujas polaridades se dá e se esgota nos choques que absorvem as individualidades, embates esses que levam aos contratos ou pactos ( sociais ), cuja função é regrar a luta, socializá-la, normalizá-la ou metamorfoseá-la nos esportes, que é um rito estritamente social, que cumpre função social, socializante, ainda quando o que exprime é, aparentemente, solilóquio, tácito, unilateral, tal qual as demais formas de socialização ; a saber :os dramas representados no teatro, nos tribunais, nas novelas, enfim, nas instituições sociais, no lar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

ANABÓLICA (wikcionario wiki wik wikipedia wikisource infopedia wapedia )


A Bíblia é a leitura do homem
da natureza do homem
ou da natureza presente
no ente que é o homem
( ente e ser molhado pelo respingo do tempo
em espigas abertas ao vento que cheira
e sopra o fole diretamente nos pulmões,
coração! )
No homem-mulher
( Mário-Maria
ou Mário-mulher )
enquanto mundo-visão
ou cosmovisão
em cada tempo
enxuto no corpo
ensopado
na intempérie
que o tempera
deveras

Poetas são seres-e-entes bíblicos
no que deixam de rastos
- rastros
nos profetas-escribas
debruados à cavalo ou a cavaleiro
em cavalo debruado selado
ou sobre o "lombo" daquilo
que às vezes uma vez é
outras vezes cem vezes,
mil vezes ou milhões-bilhões-trilhões-
quintilhões...
de vezes é
qual Sócrates em Platão
de uma vez só
em diálogos
ou Cristo em Evangelhos canônicos-apócrifos...
e Moisés no monte
em decálogos
de outra vez
ou outra feita
quando "era uma vez..."
de vez
o diálogo-decálogo
extenso por extenso na dialética
que move o estilingue
e a funda de David
( Platão é só Sócrates por escrito
dentro do envelope-livro em diálogos
reproduzindo no gramofone
para voz riscada a "lápis"
o canto de Melpômene
deusa que Hesíodo criou
em agonia de teogonia
- corpo e alma
espírito da música na tragédia
- Musa!
e ai! que musa esta!
cantada-cantata em coro
corpo de coro
corporificado no coro
e na mente filológica-filosófica de Nietzsche
que descobriu
desvelou
pôs a nu o espírito da música:
A música
ou a Musa
é o espírito da tragédia! )
( E o Jesus Cristo que conhecemos
é somente Cristo por Evangelhos
- um Cristo crítico no grego crítico
língua em crise filosófica
para retratar um dito Messias
somente lido-escrito em hebraico
e para hebreu de época
- não para vivos
em outro tempo
que o bíblico
quando texto era contexto )

Tudo isso é Bíblia
e mais por aí vai e vem
da barata
ao Mahabharata!

Nessa tensão que flete
da barata ao Maabharata
e antes da barata
no escuro
e depois do Mahabarata
também em poço escuro
da noite sem tempo :
a noite eterna
interrompida do seu sono sem sonhos
apenas pelos sonhos
dos que passam pela vida
( Será que somente o homem
tem um mundo onírico por dentro
e outro por fora?! )

Pós-tremor negro
a barata vai
do pó no pós-tremor
ao Maabárata
pois a Bíblia-vida
é um releitura constante do Mahabharata
mas principalmente
- da barata!
que escreve a vida
com genes e patas
(Traria o latim
uma alma de barata
com sangue de barata?:
"Blatta orientalis"
"periçlaneta americana"
"Supella longipalpa"
"Blaberus discoidalis"
"Eurycotis floridana"
"Parcoblatta pensylvanica"
ou será que o maabárata
desbarata a barata
ou malbarata-a
ao malbaratá-la em mau barata
num polar maniqueísta do mal
que não cabe na barata
mesmo quando é uma barata-tonta ?!)

Traz o mahabharata
a alma límpida da barata
que respira
no pistão do homem-mulher
a quatro mãos-narinas,
ó Marinas das orlas marinhas!
Marílias belas
amarilidáceas!...
Oh! sete-flores-com-trombetas-sopradas-em-cor-lilás!
( Lilás é o tempo
do ananás,
Ana
anaeróbica Ana
Anabólica
porém não diabólica
no pólen maquiavélico
com músculo-musa rombóide-robótico
na flor-de-lótus
Nenúfar-Monet )

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

PARCAS (wikcionario wiki wik dicionario filosofico cientifico aurelio houais )

Minha infância
está toda contida
entre algumas palavras
Cabe num pequeno contingente
de vocábulos e gente
( Pouco léxico
mas muito México! :
Muito México para parco léxico)
Enfim, um exíguo glossário
Porém pode ser narrada
no inenarrável
contido no mundo-entre-vidros
erigido com as Parcas
fiandeiras à roda da roca
e do destino expresso
em palavras-chave
e palavas-gente :
Mãe-pai-ou-pai-e-mãe ;
minh'avó : minh'alma-de-infante;
irmã-irmão-outro-irmão-irmã...
- conte-os até sete!...;
e aí-só-então-antão
vem tia Tereza!
Tia Tereza
que criava uma menina
filha de minha madrinha
de cabelos negros-longos-retintos-lustrosos-lisos-luzidios-...
ferindo a cor-não-cor-cor-"unum"-anum-da-noite-madrugada-em-zum-zum-zum
com madeixas-de-ameixas
( Uma menina de beleza-branca-branda-esfuziante-esplendorosa
mais-do-que-a-rosa-em-roseira-e-espinho
cujo nome cubro com a rosa rubra...
com o cubo-da-rosa-cúbica-enraizada
e com o nome-da-rosa-plantada-em-jardim-medievo
para ampliar segredo segregado em degredo )
Aquela menina foi
depois de minha mãe
a primeira criatura feminina
a qual amei desde o berço
- desde que a vi
ao colo ou no berço
empós a barra-da-alva-do-amor-em-figura-geométrica-materna
amada no ventre
antes do Complexo de Édipo rei
Vi-a na primeira vez de ver
( olhar-de-vez ou imaturo
fruto não maduro
não-amarelo-elo-com-o-mundo
pelo viés do olho-de-bebê escanchado ao colo )
- no primeiro ato de olhar para fora dos olhos
antes velados
depois desvelados
nos olhos daquela menina
que olhavam e viam
antes da primeira dentição...
- olhavam para dentro
e viam para fora...
Vi-a via à luz da fotografia na retina
( Via Apia! )
no olho-todo-gordo-irisado!...
Porém não sei ao certo
se ao colo ou ao berço
estava ela
bela-bela-tela-de-Modigliani-
bela-umbela-bela-singela-beladona ("Atropa belladonna" )
presa à teia-de-aranha-de-minha-pupila-dilatada
pela beladona nela
e em efeitos em mim
pois uma bela mulher
mesmo em criança
controla os destinos dos homens
enquanto Parcas
na plenitude da juventude
- tempo em exercem
poder absoluto sobre os homens
( são plenipotenciárias )
consoante entoa o canto da poesia grega
que agrega ciência-e-mitologia-e-filosofia
num só sentir-pensar em dianóia-noética
Sei que a vi
que ela despertou-me olhos e olhar
de-dentro-para-fora-e-de-fora-para-dentro
em reciproco maniqueísmo
que pervade toda ciência-do-conhecimento
e talvez penetre fundo
na raiz da sabedoria insondável
Entrementes não me lembra
se estava em berço de ouro
ou ao colo de tia Tereza...
Penso ou imagino que já é muito
evocar o que lembro
em primeiros-tempos-de-vida
para ambos os recém-nascidos
dos quais ainda ecoavam os vagidos pós parto

Não obstante me recordo plenamente
deste primeiro olhar de amor
- olhar cruzado
entre duas crianças
que se apaixonaram imediatamente
no tinir das espadas-adagas do olhar
ao se entrechocar
com a matéria-energia ondulatória da luz
retinindo em ambos os olhos
em quatro-quádruplo-não-quadrúpede
ao som do evento do encontro
de dois amores recém-nascidos
- e ao primeiro olhar!
- dado ao bem-me-quer!...
bem-me-quer...

Trago comigo a memória
( à flor-morta-da-memória )
desta paixão em primícias
Contudo, como as primícias são do Senhor...
Elohim colheu aquele incipiente amor
em oferenda agradável
levada ao altar servido pelos levitas )


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

CLAUDE MONET (Almiar em giverny , Blues Waters Lilies, Bordighera, Italy)


Uma língua em geóglifos
cantaria na ave...!
- está escrita no pássaro
canta na concepção melódica da ave ...:
e por essa música "geoglifada" na partitura avícola
descreve-a conceituando em genes
na forma do corpo anatômico e fisiológico
geométrico corpo
da ave concebida
quase sem pecado
não fosse a concepção geométrica do ser
que apaga o ente

Essa linguagem em geoglifos
- está escrita no poeta!
porquanto na alma do poeta
canta um idioma em geoglifos!
incrustado no espírito
nada santo
e paradoxalmente todo santo
se não se apegar aos fracionamentos
a revolver o homem em camadas sedimentares
dentro do poeta
o qual sobrevive no interior do homem

Todavia o homem
- o comum dos homens
não tem o poder de ler
em idioma geoglífico
graças aos seus apodos
anodos catodos geodos
e tropos : litote antonomásia
sinédoque hipérbole metonímia
metalepsia perífrase
- graças à Polímnia! :
Musa da retórica
- graças às três graças
e graças à sua graça na garça!
ó garça no paul
branca na vela da luz solar...:
- e graças à sua graça
"Stela" bela
- beta na manhã
alfa à noite

Um idioma em geóglifos
nem pode ser lido
em logos de homem
Somente pode ser ouvido
e lido na lida da escrita
naquele ato de poeta
no vidro da vida
- mas não na literatura do poeta!,
a qual dá à ciência
um pouco da esmola sapiencial
em vocábulos polifônicos
na terminologia de Goethe
Dostoievski-Modigliani
Chopin-Champollion
Platão-Planck
Euclides-Descartes
dentre outros poetas
oriundos do fundo
- do mais profundo
das várias línguas
que são linguagens
metafísicas ou matemáticas
cuja poesia
não pode ser escrita
pintada ou esculpida
senão na alma
do ornitorrinco e do ornitólogo
do macuco e do maluco
que é o homem
( - e somos nós!
poetas soterrados
por camadas geológicas da terra
no corpo e fora do corpo
ao montes nos montes
e pelos montes amontoados
em montanhas e serras e cordilheiras
vincadas pela escrita geoglifica do sol
que não lê em cuneiforme
nem tampouco em hieróglifos
grego copta
ou sânscrito dos sânscritos )

A língua geoglífica
haurida do cosmos
desce ao anjo natural
mensageiro dos poetas
porque tão-somente os poetas vitais
virais e vitalícios
e poetisas tais
( mais que tais! :
a mulher é muito mais vital-viral-vitalícia...)
têm acesso a ela
exposta em estela
ou quando amarela
na folha de outono
escrita ali
ou na asa da borboleta amarela
que passa pelo amarelo
o amarelo-canário ou ouro
pintado no espectro dos olhos
dos pintores impressionistas
à la Claude Monet
um poeta-vaga-lume de luz radiante
- ambiente

Contudo não podem escrevê-la
na sua poesia
os poetas
- mas apenas na sua alma!,
porquanto é um código
praticamente intraduzível em outro idioma
apenas passível de versão
em outra linguagem
ou outra língua
enfim, em língua-linguagem
para além de qualquer escrita para leitura e literatura
pois não está arraigada
no depois temporal do verbo
o qual inventa e emite
um tempo para inexistência do homem
- tempo para homem morto
que não tem mais tempo
junto às ervas verdejantes
esparsas nos passos dos caminhos plantados com os pés

A aventura de traduzir
tal língua em vernáculo
ou em qualquer outro código linguístico
ou de linguagem
é algo assim como fazer tradução
do galo para o francês
ou do francês ao galo
- da antiga Gália
onde vivia o gaulês
no geodo do corpo
escrito com genes
em um código de comunicação em geóglifos
- um dentre infinitos códigos de comunicação geoglífica
se há algum infinito
em linguagem matemática "algebricada"
que pensa o todo
e mais que o todo :
o infinito
e o nada
outrossim algebrizado
- o nada que denega tudo nos atos dos matemáticos
apóstolos dos poetas
e dos filósofos na nadificação
- do nado ao nada
( e do nada ao nado?!... )

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

MODIGLIANI (vida obra biografia arte moderna museu pinacoteca)

Marimbondos

Um marimbondo em preto e branco
pintalgado na entre-cor-não-cor
do tabuleiro de xadrez
ou do piso enxadrezado de um "Scotch" bar
assentou-se no meu braço
entre os pelos
no abandono confiante
de quem está em casa
ou no vespeiro
construído com barro
na palma do coqueiro
- sob a palma
ou no lado da palma da palmeira
virada para baixo
no engenhoso e impávido
desafio à gravidade
( O marimbondo põe a palma
com calma
muita calma
- virada no diabo!
lidando com a gravidade
numa casa-caixa
cujo alicerce
fica de ponta a cabeça )

Fato similar se deu com uma mariposa
em solitude sob meus pelos do braço...
- Uma térmita veio voando de longe!
flutuando
flutuante no ar
fluindo sob aguaceiro pluvial
fluída sobre o fluido fluvial
fluente
influente
afluente
fluídico
na canoa
a fluir


Esses fatos agora transcritos
foram atos desses insetos
ocorridos antes e depois das chuvas
no tempo tecido em filó
para mariposas noivas
com asas em cruz
ativas térmitas
dinâmicos demônios alados
- diabos à chuva

As criaturas de que falo
( e canto seu encanto
num acalanto para pranto de chuva! )
- vieram e vêm me visitar
pelo vagalume
o qual é um besouro lucífero
e por outros entes alados
voantes no anjo aos bandos
com banjos
conquanto anjos não existam
inexistam
Entretanto estão postados na mente humana
entre um querubim
e um serafim
- seres criadores da essência mental
a qual passa de arcanjo
com asas descruzadas
para insetos
cujas asas formam a cruz no voo
- no conceito desenhado ao planar
no plano de Euclides para geômetras
Picassos e Modiglianis...
( Insetos são anjos de verdade
- arcanjos na existência
na benção e batismo
oriundas das mãos da água fluindo
fluente vertical ou horizontalizada
- a água desenhando e moldando
- dando concepções ao barro!
- à terra que se molda em moringa
graças aos gestos abençoados
por mãos aquáticas
as quais são as mais humanas
- a água molda as mãos
de todos os seres humanos
os quais moldam o vespeiro
o cupinzeiro o castelo a colmeia
ou o ninho do passarinho
pois cupins aves lagartos e homens
são todos seres humanos
- entes moldados pela água
que desenha a vida na terra
Oh! O rascunho do galo!...
Ah! o rascunho riscado
da notação em partitura
rabiscada no pergaminho da madrugada
onde notas musicais
de melodia incipiente
para canto de galo
ficaram borradas sob o rascunho
- todo riscado!...
numa poça de borrão )

Os insetos d´água
- esses propulsores da vida
eclodem da água
e vêm de longe me visitar
( revisitação!...)
Amo de um amor de amar o mar
mar a mar a espraiar pela praia
- amo todos os insetos que vêm a mim
derramar sua benção de mar
de água pura e benta
- água da vida

Mas não seria eu que vou de voo
de encontro chuvoso com os insetos
batendo asas em cruz
em dia e noite chuvosa
- ou eles que vêm a mim?!
porquanto deles descendo
- de todos os insetos dependo para viver?!
- minha vida e minh'alma
está na gota de vida e alma
que os insetos trazem
pelos bater das asas
aparentemente silentes

Insetos e anfíbios
expressam a vida
na literatura da natureza
escrita com geoglifos
na onda eletromagnética
que dança na água
e se desenha em senóides
na arte da geometria...:
pois se se extinguir a luz
dançante na noite
mais negra que o anum
- sem a luz errante do vagalume!
ai! se apagará a vela das estrelas
nos olhos apagados
riscados do rascunho!
Olhos de todos os viventes
então cegos e sem sol
e consequentemente sem água
pois a água é a concubina do sol

Sem o sol
que anima os pirilampos
apagar-se-á toda luz cambiante
furtada nas águas-furtadas
emitidas a pinceladas pelos olhos verdes
descidos ao mar
e subindo em águas-furtadas
( - "homem ao mar!"
"olhos verdes ao mar!"
grita o marinheiro
ao se deparar com o verde
- ao verde em pastoral
emergindo dos olhos do meu pai!
- uns olhos para acender sonhos
- no universo... )

Outrossim
dos olhos castanhos
será despejada a luz

Dos olhos negros
sem a alma de Lúcifer
a luz não deixará pagadas
de sapatos ou pés descalços
Lúcifer
o cavaleiro negro da luz
de olhar negro
a contemplar um sol negro

Dos dois azuis olhos
em face cândida
de um azul cerúleo... :
- do dúplice azul cerúleo!,
refletido no mar,
enquanto olhar para barco e veleiro
- duplo olhar
do homem em ato
e do Narciso em mito
Dos olhos decíduos
junto às folhas
descaindo na graça da força
centrípeta e centrífuga
emitida pela turbo-hélice de outono
quando sopra o anjo no vento
no moinho de vento
do anil para a grama
- esses olhos postos no anil do céu
e posteriormente
descidos descalço à terra-terra
água-água
terra-água-e-água-terra
da realidade natural
existencial e essencial :
- água-terra!
são olhos angélicos
em folhas amarelas outonais
com anjos decaídos
sob suas asas ininteligentes
( folhas ao vento soltas
são asas sem inteligência
- sem a inteligência montada nas asas da borboleta
que dão liberdade de escolha
contra o despotismo do vento
ventríloco )

Mas quem lê o livro natural
de excelsa poesia
pura filosofia
plena sabedoria
- obra decodificada em vida?!
O Livro da Vida escrito pela vida
enquanto poetisa
no seu código geoglifico...
escritura em água e terra...
- profusamente filosófico... )

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

"DELONIX REGIA" ( wikcionario wiki wik dicionario etimologia wikipedia wapedia )


Que a chuva molhe
a mole do edifício Flamboyant
que avisto de longe
na dobra da curva sul
ou do desvio para norte
quiçá este ou acaso
o ocaso em oeste

Denso sob a chuva tensa
em densidade e tensão
com envoltório de nuvens plúmbeas
tipo auréola de santo
o Edifício Flamboyant
mostra suas quatro faces na mole
que a chuva molha
com seu molho de água
e outros predicados da água

Que a chuva molhe a mole!...
- com o molho de água
condimentada no céu!...
descendo pelas escadas
do que era azul
e agora é vegetal
- anileira plantada de ponta cabeça
num céu para anil
que anuncia o anum
na noite com lua estendida em cimitarra
ou em foice nigérrima
escurecendo o latim
envolvendo o latim em matéria negra

Na dobra da curva
entre a folhagem de uma árvore
dada ao vento galopante
( o vento é o cavalo baio
a cavaleiro do ginete amarelo...
a cavalerio do cavaleiro amarelo do apocalipse!
que nada no vento
há muito tempo
sem outro evento...)
surge e insurge
detrás de uma palmeira altaneira
que sobe de longe na mole abstrata
- surge insurgente a mole concreta
apalpada pelos olhos
- a um tempo concreta
no concreto armado
e abstrata no líquido ou gás
com que a trata a mente química
a escavar no nada dado à mente
a geometria invisível
abstraída de algo inominável
que fica antes do tempo medrar no Relógio de Areia
e criar com areia na ampulheta
o espaço em espasmo para a alvenaria da mole
se moldar e molhar em mole de edifício
no derrame da clepsidra
que deixa mole a alvenaria da mole
e faz a massa
e amassa a massa
com areia na face de quem chora
- um pranto que se derrama
na chuva que move com erosão a areia
da face da mole...
- um olhar que vai além da mole
e da visão da mole!
no horizonte ocular
- oculado ou não desenhado na geometria ocular
enquanto o olhar a perspecrutar sobe
numa subida em escala de perspectiva
palmilhando cumes de fetos arbóreos próximas ao coqueiro
- contemplativo a cismar no ar
para voar de milhafre e pomba ao cinza
e assentar no topo da mole
- da mole do edifício que surge subitamente
abruptamente
face a mim
passo a passo no meu passo ritmado
no compasso do espaço circundante
ambulante e avante
enquanto ouço ou imagino ouvir
o tempo na voz do fonógrafo
cantante no fonógrafo de época
( gramofone sem museu )
em tecitura de flor de algodão para timbre
de alguma cantora do rádio

Que molhe a chuva intermitente
a mole do Edifício Flamboyant
( "Delonix regia")
a mole imersa no molho da chuva
no molho de ervas aromáticas vendidas na feira
antes de estar na chuva
e mesclada no ciclo da água
- que molhe com o molho
a mole do edifício
que avisto no horizonte
tenso e denso
com densidade aquática
quando há tempestade
lavando os corredores ou escadarias dos ares
por onde Jacó subiu em escada
e a liana foi atrás
espargindo seu rasto verdejante escadaria fora
e levando ervas daninhas
danosas apenas no espargir o verde
porquanto tudo quer o verde
e as ervas com pés plantados
no coração do verde
as quais tomam de assalto
os castelos e as choupanas
sem beligerância
que é atitude exclusivamente humana
não herbácea ou vegetal
que a vida é vegetativa
e consequentemente useira e vezeira em tolerância
contemplada na contemplativa filosofia grega
pensamento já vegetativo na alma dos pré-socráticos
- pensadores voltados ao estudo da física
que deixaram a percepção da poesia
que é a forma do belo
na alma do filósofo grego
- e este descendente direto dos poetas
que é o filósofo grego
ao perceber o belo
passou a utilizá-lo outrossim
para desvelar o mistério do pensamento
retirando o véu
que cobre as coisas e objetos
com luz ou sombra
no xadrez da cognição
a fim de que o filósofo visse a realidade
e dando uma vela aos cegos
para que vislubrasse o símbolo
no jogo complexo da aletheia
- que é um xadrez
jogado nopreto e branco
da caverna de onde emergiu Platão
do espaço sombrio
para a luz radiante do sol
a velar com sua luz "branca"
de zênite ao nadir
ou do anil ao anum
quando do dilúlo ao crepúsculo
o céu vai de azul
na travessia de sua barca

Vejo a mole do Edifício Flamboyant
com olhos na chuva
sem chapéu ou guarda-chuva negro
em dia que rasga o olhar
com as adagas da chuva
amoladas e mui "contusas"-cortantes
com o sol embuçado sob nuvens cinzentas
- o sol qual fosse um cavaleiro negro
ou um guerreiro ninja
ou ainda um monge negro
no dominicano de olhos mortiços
que abria o Livro dos Mortos
e lia a sentença da inquisição
- ou o que batera o Martelo das Bruxas
inexorável
em companhia de seus cem olhos
sem abrolhos
em língua de Evangelho
( O sol oculto por nuvens acinzentadas
toma penas de anum
e passa pelo cavaleiro negro
cujo ginete enceta e inventa o apocalipse
sem João nem ninguém
- nem também amém )

A mole do Edifício Flamboyant
em cujo frontispício ficou gravada
minhas inúmeras faces
multifacetadas pelas obras de Picasso
em rostos de mulheres que tomam cubos
- senhoritas em raízes cubicas
planificadas numa geometria
em amostra e demonstração frontal na obra
do que denominam cubismo
meus rostos expostos em geometrias
euclidiana e não-eclidiana
passa por cubos no espaço
enquanto o tempo vai desmanchando
a minha face com água cúbita
- face feita de areia de ampulheta
um silicato na mineralogia
um relógio de areia para o tempo
- um espelho de areia
que a água da clepsidra dá à erosão paulatina
na lâmina d'água para lavar o rosto de Narciso
- lavar até afogar
erodindo toda a areia
inclusive para olhos não vidrados em gema esmeralda
safira azul negro de pérola
ou castanho dos cabelos e olhos
de quem olha e ama o mundo
com alguma cor viva nos olhos
ainda distantes das areias na ampulheta
que produzem a morte vítrea
nos olhos arregalados
revirados pelo avesso do último olhar
mas agora e aqui postos molhados na verde palma
que dá um discreto adeus na palmeira
ou mexe as palmas freneticamente
ao vento da borrasca
aplaudindo com uma alegria de menino
que começa a olhar a vida
e sentir as ondas de emoção tomar o corpo fisiológico
em primeiro tempo de química
tempo de arqueólogo em vida
botânico vivo
zoólogo na existência
e não na teia da essência
ou da quinta-essência...:
- Essência exalada do olíbano
não mais enquanto árvore
mas através da matéria-prima
que é a resina colhida do vegetal
e industrializada como incenso
ao descer ao mercado
negro ou branco ou amarelo
o qual é sempreesses três magos?!
( arqueólogos têm alma antiga
enterrada sob montes de areia
e pensam sob as normas do onírico
que estão a escavar
o próprio corpo
com a mente intacta gravada na pedra
a voz no fonógrafo guardada no cantor
e o espírito escrito em três línguas de fogo
nas Tábuas de Moisés
e na Pedra de Rosetta
de Champollion
Egiptólogo e paleotólogos
e geólogos também sonham
sob o veú dessa inteligência surrealista )

Olho a Mole Antonelliana
na mole do Edifício que vejo
cujos números não aprenderam a andar
na sequência Fibonacci
Fato que não tolhe a chuva
é a mole exposta ao molho da chuva
nítida na retina
Face a mim que a olho
atrás da retina colada em cada tapa-olho
de vetusto pirata do Caribe
a mole é o objeto ante minha face
é minha imagem de Narciso
ou o objeto que me dá a coisa
velada pela luz da vela solar
que a cobre de véu branco de noiva
na grinalda de flores de laranjeira da terra
sob a luz da vela lunar
que não é vela
mas veleiro com vela inflada
pelo sopro de anjo da luz solar
luciferina luz
cobrindo o todo com a vela
que é um toldo no todo
o qual jamais deixa algo desvelado
mesmo quando cai a noite
e a noite o véu das sombras
tecido na treva
vela sem acender a vela
- vela apagando a vela solar
quando não acende a vela das estrelas
ou a luz negra
- a face negra do véu
sobre os cableos negros da noite
no encaracolar das trnças longas
( O objeto no fenômeno
é o véu que oculta a coisa
na filosofia de Aristóteles a Kant
passando pela fenomenologia de Hegel a Husserl
em novo surto filosófico )

Olho a Mole Antonelliana
porém não vejo molho matemático
em sequência Fibonacci
escrita e lida no sumo da chuva
a escorrer mole abaixo
pendente em pensante cascata
a descair mole lânguida voluptuosamente...

Entrementes na Pedra de Rosetta da mole
e da escrita em água de chuva
escorregando mansamente
pela estela da mole do edifício abaixo
e tornando o signos mutantes
gota a gota ilegíveis
a cada gota no conta gota da chuva fina
entranhando-se na escrita
e na leitura dos hieróglifos
e geóglifos ali grafados
pelo mestre tempo
senhor e deus de toda a literatura
desde antes da escrita cuneiforme...
gota a gota no conta gota
indecifráveis
indevassáveis
- tanto que pouco ou nada decifro
do que nada em gota
gota a gota
em conta gota
do enigma posto na Esfinge de Gizé
sob línguas de fogo
em um falar e escrever do tempo
escritor em quatro línguas matrizes :
alfabética, hieroglífica, cuneiforme e geoglífica
- o tempo na mente
na boca
na língua
na garganta
e na mão do homem
a traduzir e analisar
o livro em geóglifos
escrito no corpo humano
em anatomia e fisiologia
e em toda a terra
dos minerais às gemas preciosas
dos animais às ervas daninhas
- a pastar vacas no campo
na terra de onde retiram a seiva
e de onde se originam o gado bovino
e todo o arcabouço da vida
tirada da alma da planta
nada cristã ou peixe
desenhado no símbolo ou real
a nadar na água
enquanto alma da água
no mover a língua em latim vetusto
escrito e falado por Júlio César
numa Roma antiga
antes do Cristo

Todavia dentro de mim
vejo-a elucidada pela função onírica
de um Champollion
operante dentro do sonho
com o olhar voltado a um onírico em vigília
- não de olhos cerrados pelas pestanas
ocultando sono e sonho
mas de olhos vigilantes e leitores
olhos de escribas bíblicos
e decifradores de enigmas em línguas
- olhos de Champollion, enfim!
do sábio erudito que lê
e concomitantemente reescreve a estela
que aqui é a mole
mas alhures á a vida
que começa a andar
nos movimentos em tempo geológico
nos minerais
- e a passo de mineral
segue até o movimento
com tempo menos lento
nos vegetais
e por fim na velocidade do animal
cuja celeridade marca com significado o termo alma
que o latim cunhou
para designar o movimento em tempo atual
- o movimento do animal
único mover captado pela percepção
dos homens de então
( homens de antanho )
pois então em antanho
não havia a percepção do tempo geológico
nem evidentemente a escrita do tempo geológico
na língua falada e escrita pela Terra em geóglifos
reescrita posteriormente pelos eruditos
em tratados de geologia
nem se imaginava o dançar das ervas
e o caminhar da liana e da trepadeira
que escala a torre do castelo feudal
- trepadeira mimosa
a por flores na forma da trombeta
do anjo do apocalipse
na Glória Matutina
com sua floração matizada num lilás com azul
( A alma que evolou do latim
de Roma Imperial
para o latim de Roma no Vaticano
e Roma em Bizâncio
volatizou a palavra a alma
que foi exilada do mundo natural
para um imaginário universo sobrenatural
paralelo ao da física atual
Oh! Meus Deus!
- quanta bolha em minh'alma! )

Que a mole...
- que à mole não molhe a chuva
mas a mole molhe a chuva
o que é impossível
enquanto fato
porém passível de realização
quando ato mental
vestido de arlequim
e saído de dentro do ovo de um sonho amarelo gema
( Esse sonho
arlequim e ovo
é o homem e a mulher
emergidos do sonho de amor
- paixão em espaço sempre fatal )

Espero por fim
e para por fim
que a chuva que cai dentro de mim
com a dureza do granito
quando chove granizo
não vá se esboroar
feito a bilha na fonte
ouvida ainda hoje na voz do Predicador
- no canto que anuncia o início da escuridão em vida
tempo descrito no Eclesiastes
que canta desde tempos geológicos
na poesia escrita em geoglifos
depois em hieróglifos
nos idiomas alfabéticos
e que ainda canta hoje
no silêncio sublime da melodia da poesia
que é uma inteligência universal
presente no cosmos
- a mover-se sem motor
a desenhar sem geometria
e a cantar sem som...